GATTACA
CTAACGT

"Gattaca, a experiência genética" é um filme que aborda a modificação genética dos seres humanos do ponto de vista de um "não modificado geneticamente" ou um "inválido", como é citado no filme.

Após termos assistido a uma parte do filme, realizou-se um debate, no qual surgiu várias opiniões divergentes sobre o mesmo tema: a eugenia (ciência que estuda as condições mais propícias à reprodução e aprimoramento da raça humana).

Idéias de que haveria uma raça perfeita levam à discriminação dos "imperfeitos", o que causaria um imenso preconceito contra os "filhos de Deus" ("não modificados"), uma vez que estes poderiam possuir características que não são determinadas pelo DNA (como a personalidade, o caráter, o bom senso) mais "desenvolvidas" que os perfeitos, pois o lado psicológico dos geneticamente alterados não seria tão evoluído, justamente devido à pressão que carregam, não podendo errar por serem geneticamente perfeitos.

A Genética só pode mudar as características físicas e fisiológicas das pessoas, não pode mudar o sentimento, as emoções dos humanos, as atitudes, em geral, as características psicológicas das pessoas, o que, no momento e no contexto em que estamos, pode ser considerado um dos problemas mais graves que a Humanidade está enfrentando.

Como ainda não sabemos alterar os caracteres psicológicos de uma pessoa através do corpo físico (DNA), podemos concluir que estes fatores só são desenvolvidos através de aprendizados e experiências de vida. A terapia, que é um dos meios mais eficientes para tentar mudar a atitude humana, poderia ser uma solução.

Contudo, nada mais poderia unir os "perfeitos" com os "imperfeitos": o sistema se tornaria discriminatório: os "modificados" iriam subestimar os "inválidos", fato que acabaria por dividir a raça humana em duas facções totalmente opostas, e, a sociedade substituiria os termos "rico" e "pobre" por "modificado" e "não modificado" respectivamente.

Tudo isso daria origem a uma sociedade de castas, na qual a mobilidade social seria impossibilitada pelo fato de os "inválidos" serem apenas aceitos em trabalhos de baixa remuneração, sem que suas habilidades fossem consideradas, em que ganhariam um salário tão baixo que os impediria de terem filhos "perfeitos". Porém, quem tivesse dinheiro para tanto, iria seguir os protótipos e ter um filho modificado.

No entanto, essa "moda" causaria o fim da reprodução humana sem interferências, ou seja, o homem estaria dependendo da máquina, que por sua vez, iria fecundar os óvulos com os espermatozóides detentores de melhor material genético. Com isso, os homens estariam exercendo a "função" de Deus, acreditando serem onipotentes. Mas, e se a máquina falhar? A Humanidade poderia correr o risco de ser extinta.

Além disso, há a parte ética, que precisa ser lembrada. Por acaso, todos os embriões fabricados iriam se tornar humanos adultos? Creio que somente os escolhidos o seriam e o resto seria jogado fora, o que é um assassinato, uma vez que se acaba com a vida destes embriões, que mal começou, por puro capricho de pais orgulhosos.

O poder de decidir quem vive e quem morre não deve e espero que não irá pertencer ao homem. Não cabe a ele decidir acontecimentos de tamanha grandiosidade, pois, se o fizer, poderá começar a utilizar as raças que julga inferior para servir-lhe como escravos ou até mesmo para realizar experiências científicas, repetindo o mesmo horror causado pelo genocídio de judeus gerado por Hittler.

O homem deve começar a se preocupar com os efeitos da evolução da Genética na humanidade e na natureza. É preciso haver consciência entre os homens e controle sobre as aplicações de descobertas na natureza humana.


Gabriela Fortes e Diana Nakasato, 2B1/99, Biotech.

Última Atualização: 23/Set/99

Volta