Soluções
para evitar o doping Em função da luta desigual, avançaram-se nos
últimos anos, varias soluções. Uma delas é a análise sangüínea, aliada ao controle
da urina do atleta, solução esta que, "a priori", seria bem mais taxativa do
que uma análise isolada. "A prion"...
É que há questões éticas aparentemente incontornáveis. Está devidamente provado
que a análise sangüínea é mais sensível do que a simples análise urinária, que
capta um líquido expelido depois de várias transformações. Gomes Pereira concorda com
a sua fiabilidade, mas relembra que, com a urina, recolhe-se, somente, um líquido
fisiológico expelido. Para fazer uma análise sangüínea, ter-se-ia de
"invadir" o organismo do atleta e forçado a recolher uma amostra. E,
naturalmente, os atletas terão todo o direito de recusar uma intervenção médica não
essencial. Além disso, Gomes Pereira acusa outro inconveniente:
Alguém calcula o que custaria, em dinheiro, em tempo e em (re)formação de pessoal,
uma adaptação súbita dos laboratórios a este novo método? João Paulo Almeida,
diretor do Centro de Medicina Desportiva, por outro lado, desmistifica a análise
sangüínea, uma vez que a urina já é suficientemente fiável. Há substâncias, como a
eritropoitina, que poderiam ser detectadas com este controlo, mas nem isso está provado.
De resto, a Federação Internacional de Pentatlo Moderno é a primeira e única
federação internacional que promove, já, colheitas sangüíneas para detectar usos
abusivos de farmacológicos. Ora, se ainda não se chegou a um consenso, por que razão
já se olha para a análise sangüínea como a solução ideal? Jorge Barbosa, por outro
lado, confirma que outra amostra orgânica seria ótima para detectar substâncias, por
enquanto, envoltas num véu de secretíssimo. Mas recorda que a experiência de
Lillehammer não foi tão satisfatória quanto isso. E, a talho de foice, lembra que a
análise sangüínea não é remédio para todos os males. Enquanto muitos atletas se
submeterem, em laboratórios privados, a testes de despistagem e, só então, confirmem a
sua presença nas grandes competições, o desporto está viciado. E os atletas
"apanhados" no controlo não serão mais do que distraídos ou incautos, que
representam, apenas, a ponta de um negro iceberg. . .