Ética

A Ética é a parte da Filosofia que trata dos ideais e valores que deveriam existir na convivência humana. Em todos os tempos, os filósofos afirmaram que os ideais da justiça, paz, igualdade, fraternidade, solidariedade etc deveriam prevalecer nas relações sociais e individuais. Também afirmaram que os valores da verdade, honestidade, generosidade, altruísmo etc deveriam ser normas permanentes e eternas a orientarem os homens em sociedade e em suas relações uns com os outros. Desde os antigos gregos, que definiam ética pela palavra “ethos”, que significa conduta e caráter, a filosofia medieval, a idade moderna e o mundo contemporâneo, nenhum filósofo importante ou escola de pensamento negou esses valores e ideais.

As teorias éticas nascem e se desenvolvem em diferentes sociedades como resposta aos problemas resultantes das relações entre os homens. Os contextos históricos são, pois, elementos muito importantes para se perceber as condições que estiveram na origem de certas problemáticas morais que ainda hoje permanecem atuais. A questão que devemos levantar é: nas sociedades em que os homens viveram – desde a antiguidade até a época contemporânea – como a Ética se realizou? Teria havido um momento histórico ou uma sociedade plenamente ética? Ou seja, uma sociedade em que ocorreram relações sociais justas, pacíficas, igualitárias, solidárias entre homens e mulheres?

No caso da política, teríamos de perguntar: houve uma época em que os governantes sempre disseram a verdade para os governados ou súditos, em que as relações entre governantes e governados se deram através da justiça social, da paz, da igualdade?

Durante a Antiguidade Clássica, surge o conceito de ética, mais precisamente nos séculos V e IV a.C. Surgem teorias sofísticas, socráticas e aristotélicas.
As teorias sofisticas defendiam o relativismo de todos os valores. Alguns sofistas, como Cálicles ou Trasimaco, afirmam que o valor supremo de qualquer cidadão era atingir o prazer supremo. O máximo prazer pressupunha o domínio do poder político. Ora este só estava ao alcance dos mais fortes, corajosos e hábeis no uso da palavra. A maioria eram fracos ou inábeis, pelo que estavam condenados a serem dominados pelos mais fortes.

As teorias socráticas falavam sobre o caráter eterno de certos valores como o Bem, Virtude, Justiça, Saber. O valor supremo da vida é atingir a perfeição e tudo deve ser feito em função deste ideal, o qual só pode ser obtido através do saber. Na vida privada ou na vida pública, todos tinham a obrigação de se aperfeiçoarem fazendo o Bem, sendo justos. O homem sábio só pode fazer o bem, sendo as injustiças próprias dos ignorantes (Intelectualismo Moral).
As teorias aristotélicas defendiam o valor supremo da felicidade. A finalidade de todo o homem é ser feliz. Para que isto aconteça é necessário que cada um siga a sua própria natureza, evite os excessos, seguindo sempre a via do "meio termo" (Justa Medida). Ninguém consegue, todavia, ser feliz sozinho. Aristóteles, à semelhança de Platão coloca a questão da necessidade de reorganizar a sociedade de modo a proporcionar que cada um dos seus membros possa ser feliz na sua respectiva condição. Ética e política acabam sempre por estar unidas.

A Ética na Idade Média é marcada pela influencia e regência da fé católica e suas doutrinas. Entre o século IV e o século XV, predomina a moral cristã. Deus é identificado com o Bem, a Justiça e a Verdade, e deve ser o modelo a ser seguido. Neste contexto dificilmente se concebe a existência de teorias éticas autônomas da doutrina da Igreja Cristã, dado que todas elas de uma forma ou outra teriam que estar de concordo com os seus princípios.
Santo Agostinho e São Tomás de Aquino são os principais filósofos das ética na Idade Média. O primeiro fundamentou a moral cristã, com elementos filosóficos da filosofia clássica, dizendo q a ética tinha por objetivo tornar os humanos em seres felizes, e essa felicidade só seria atingida num encontro amoroso do homem com Deus. O segundo concorda com a essência da teoria de Santo Agostinho, mas fundamenta-se em questões levantadas por Aristóteles durante a Antiguidade Clássica.

Na Idade Moderna, influenciada pelo Renascimento, a Ética passa a se distanciar dos preceitos cristãos e aproxima-se mais dos conceitos gregos. As bases da Ética passam a se fundamentar na razão, e ficou definida principalmente pelas regras, leis e normas impostas pela sociedade. A ascensão da burguesia influenciou muito nos fundamentos morais, visto que esta camada social gerou novas idéias e conceitos. Os filósofos dessa época pregavam que somente pela Ética era possível evitar conflitos entre o indivíduo e a sociedade.

Nicolau Maquiavel, pensador do Renascimento, afirmou que os valores da Ética deveriam se constituir em orientação para os príncipes ou governantes. No entanto, afirma ele que, na realidade histórica, os governantes para serem eficientes na condução e na administração do Estado, precisam, com freqüência, de utilizarem-se de meios não-éticos para governar. Por exemplo, precisam usar a violência contra seus inimigos e adversários se quiserem defender o Poder político. Posteriormente, outros pensadores, baseados em Maquiavel, afirmaram que os comportamentos éticos são possíveis nas relações entre os indivíduos. No plano das relações sociais e políticas, a Ética apenas seria possível caso não existisse desigualdade entre os homens e mulheres. Ou seja, a política apenas seria ética se houvesse igualdade de condições entre homens e mulheres. Enquanto as relações forem desiguais – dominantes/dominados; proprietários/não-proprietários; ricos/pobres –, os valores da Ética não podem ser inteiramente realizados. Para haver relações verdadeiramente éticas seria preciso que não haja interesses e conflitos antagônicos na sociedade. Isto não significa que não devamos lutar para que na política as relações devam obedecer aos valores e ideais tradicionais pregados pela Ética em todos os tempos.

O desenvolvimento tecnológico e as mudanças na sociedade trouxeram à Idade Contemporânea novas discussões a respeito da ética. As Revoluções, as mudanças, os avanços, que prometiam resolver os problemas de uns, causaram problemas a outros. Isso quebra os preceitos da ética. Mas surge a questão: até que ponto o indivíduo deve obedecer à ética? Por exemplo: Mentir seria anti-ético. Mas o que faria um general capturado pelo inimigo se fosse questionado sobre alguma estratégia de seu exercito ou sobre a localização de alguma base militar secreta? Seria certo falar a verdade e prejudicar seus soldados e seu país. O exemplo pode parecer estúpido, mas é esse tipo de conflito que as questões éticas enfrentam hoje em dia. A ética imposta a sociedade vale mais do que o valores pessoais? A ética deve ser padronizada e imposta a todos? Afinal, o que é lícito e o que é ilícito?

Atualmente, caracteriza-se como um indivíduo ético aquele que não abre mão de seus interesses pessoais e de sua ética privada, e se sobrepõe à ética publica, supostamente formando uma sociedade mais balanceada e justa. Mas não é correto afirmar que seguir a ética á risca traz justiça e equilíbrio a todos, visto que muitas vezes o principal prejudicado pode ser o próprio individuo que abriu mão de seus valores. Concluímos assim que a Ética é adaptável aos fatores tempo/espaço, cultura e religião, e que o homem, por sua vez não é hábil para definir a ética como um conceito único, pois esta está embutida não somente nos valores impostos pela sociedade, mas também nos valores pessoais de cada ser.

Bibliografia:

Grupo: Ana Carolina 2H4, André 2H3, Heitor 2H1, Luiza 2H4, Marina 2H2

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