A influência da arquitetura na sociedade urbana

O nosso grupo teve como objetivo relacionar a arquitetura do século XIV e XV com a atual. A influência da sociedade urbana nos seus aspectos políticos econômicos e sociais


Sede da ONU em Nova Iorque


Castelo medieval português (Castelo de Óbidos)

A relação entre os ambientes políticos, econômicos e sociais às catedrais

A arquitetura medieval principalmente na Baixa Idade Média era uma representação do cenário político, econômico e social que a Europa vivia, também refletia uma sociedade teocêntrica que buscava todas as explicações através religião, logo as catedrais tiveram tanto destaque.

No século XII começaram a surgir às primeiras catedrais que atingiram seu apogeu neste mesmo século, elas só conseguiram surgir com o renascimento das cidades e do comércio. De uma Europa agrícola em que toda riqueza estava concentrada na terra, sem um cenário urbano, apenas castelos fortificados, decorrentes de uma paz relativa devido às várias invasões que começavam a cessar. Devido à necessidade de se ter novas fontes de renda e lucros foi se restabelecendo o comércio, dando assim, condições para o surgimento das catedrais que eram financiadas pelos comerciantes burgueses, agradando a Igreja e dando status social para uma camada da sociedade que até então não havia sido reconhecida.


Catedral de Notre-Dame

As catedrais estavam altamente relacionadas com a força comercial e independência das cidades medievais que eram construídas em regiões importantes por onde passavam rotas fluviais de comércio. Com as catedrais os burgueses conseguiram um profundo patriotismo local, orgulhosos por ter conquistado sua independência queriam mostrar para a sociedade sua alegria e ‘’impressionar os estrangeiros com a magnificência de suas igrejas’’. Essas tinham torres muito altas, que submetiam à visão do Céu, de Deus. A Catedral de Notre-Dame em Paris, com uma abóbada a 35 metros do solo foi uma das maiores construções da época.

A arquitetura da Baixa Idade Média então esteve altamente relacionada ao período de transição que a Europa estava passando mostrando a volta do comércio e de um renascimento de idéias e cidades.

A intensificação da sociedade urbana a partir do século XV

O comércio começou a reaparecer no século XI, mas foi no XIV que ele se fortaleceu. Com a volta do comércio, podemos dizer que na Idade Moderna, XV ao XVII, o universo urbano na Europa era predominante.

A centralização do poder graças à união da burguesia e do rei gerou um aumento no comércio (como já foi visto). O comércio deu um grande avanço quando, a partir do século XV, teve início a Expansão Marítima, que tinha como objetivo encontrar um novo caminho para chegar ao Oriente e assim podendo comercializar os produtos orientais na Europa, acabando com o monopólio italiano sobre os produtos orientais.


Grandes Navegações no século XV

A Expansão trouxe bastante lucro para as metrópoles, países europeus, pois as colônias forneciam produto que podiam ser comercializados no mercado europeu, e alguns metais preciosos como ouro e prata. A possibilidade de enriquecer com o comércio levaram várias pessoas a saírem do campo e irem para a cidade para tentar se beneficiar com o lucro que o comércio prometia trazer.

Portanto, na Idade Moderna, a população queria obter lucro, e a melhor forma era o comércio de produtos orientais como a seda e as especiarias, ou até mesmo produtos da América como a cana-de-açúcar e o pau-brasil. Outra forma de lucro foi a extração de metais preciosos como o ouro e a prata. Assim a cidade sendo o local de compra e venda destes produtos, tornou-se muito importante, pois era onde a maior parte do capital estava localizada.

A relação entre os ambientes medievais e atuais

A arquitetura atual das grandes metrópoles está tão ligada ao seu ambiente como estava a arquitetura das cidades medievais. Da mesma forma que as catedrais do século XIV e XV representavam à riqueza da burguesia, os grandes prédios comerciais marcam a riqueza atual.

A burguesia, grande detentora do capital nacional, era quem financiava a construção das catedrais. Nestas, quanto maior a quantidade de ouro usada e o tamanho da construção, maior representavam à riqueza da burguesia.

Hoje em dia, quando a população de uma determinada cidade possui um alto poder aquisitivo, é possível se notar que há uma melhor infra-estrutura, as casas são maiores e melhor equipadas, assim como os hospitais, centros comerciais, escolas e universidades o que garante melhores condições de vida e oportunidades profissionais. Desse modo as futuras gerações poderão Ter o mesmo padrão de vida das outras gerações.


Cidade de Boston localizada nos EUA

Do mesmo modo que antigamente era possível se identificar uma camada social pelas vestimentas, especiarias e jóias. Atualmente a riqueza pode ser medida não só pela arquitetura como também pelos bens de consumo, como por exemplo, computadores, celulares, carros e roupas.

Embora muitas características tanto da arquitetura, quanto da sociedade tenham mudado durante esses seis séculos, algumas dessas características continuam parecidas, principalmente na forma de representar a sociedade por meio da arquitetura e da decoração.

Um comparativo entre a Sociedade Urbana dos séculos XIV-XV e a atual

O processo de urbanização na Europa começou no século X com o ressurgimento das cidades, porém até o século XIV, a sociedade ainda tinha alguns traços rurais, a economia girava em torno da agricultura e pecuária, embora o comércio estivesse começando a ganhar espaço. Porém foi após a Crise Feudal que teve início no século XIV e acabou no século XV, que as cidades sofreram intensa urbanização havendo assim o aumento do comércio, contudo ainda tinha uma parcela da população concentrada no campo.

No entanto, foi no século XV que o processo de urbanização teve maiores mudanças. A Burguesia, até então não era considerada uma camada social, mesmo tendo um papel muito influente na sociedade. O seu reconhecimento como nova camada social aconteceu nessa época pelo rei. Após esse reconhecimento houve a Expansão Marítima e Comercial, incentivada pelos burgueses que eram grandes comerciantes e banqueiros, a qual foi financiada pelo rei, que tinham interesses nacionais. Com essa expansão houve uma melhora na qualidade de vida. Com os produtos vindos de fora era possível se ter mais conforto, higiene e etc. Por exemplo, com a importação de especiarias orientais a conservação de alimentos (principalmente carnes) se tornou mais eficaz. Contudo, a infra-estrutura e o saneamento básico das cidades continuavam muito precários. Não havia, por exemplo, sistema de esgotos, o que levava as pessoas a jogar lixo nas ruas, estreitas e irregulares. Este era um ambiente propício para a proliferação de ratos, causadores da Peste Negra, que acabou com uma significante parcela da população européia. Nesse ponto, se formos fazer uma comparação com a estrutura da cidade de São Paulo, podemos perceber grandes avanços em termos de planejamento e infra-estrutura, embora ainda haja problemas com o sistema de esgotos que com as chuvas acabam entupindo e alagando certos pontos da cidade, porém não há epidemias como a da Peste Negra por falta de recursos.


Av.Paulista em São Paulo, grandes prédios comerciais

A Peste Negra foi uma grande epidemia que devido à falta de saneamento básico e conhecimentos médicos muito limitados acabou com uma grande parcela da população européia. Esta Peste pode ser comparada à pandemia de AIDS que causa milhões de mortes por ano no mundo inteiro, principalmente na África que devido às condições de vida muito precárias e os poucos recursos tem a maior parte de sua população contaminada pelo vírus.

A sociedade urbana atualmente (século XXI) com grandes metrópoles como São Paulo, embora muito avançada possui traços semelhantes à sociedade urbana européia dos séculos XIV e XV, principalmente nas relações sociais. A burguesia era uma camada de destaque, por sua influência econômica e comercial, como acontece hoje com os grandes empresários, presidentes de empresas/ bancos, entre outros. As camadas mais populares (servos, camponeses) tinham poucos direitos e muitos deveres. Hoje em dia, embora haja melhores condições para as camadas populares do que nos séculos XIV e XV, ainda há muitos que se sujeitam a trabalhos árduos com pouca remuneração, não muito diferente do feudalismo. Por outro lado, a nobreza antigamente tinha poder sobre a política, economia e religião, sendo que hoje em dia o poder está concentrado na mão de governantes, representantes de Estado. Mesmo assim o cenário político ainda sofre influência das camadas mais abastadas.

Podemos assim concluir, que a sociedade urbana feudal após um grande avanço (principalmente no século XV com a Expansão Marítima e Comercial) se tornou exemplo para as sociedades de todo o mundo atual, embora está tenha se baseado na estrutura urbana das grandes civilizações da Antigüidade, principalmente a grega e a romana. Por outro lado foi durante o Feudalismo que os bancos foram criados e as moedas começaram a ser utilizadas, facilitando o comércio tanto interno, quanto externo. Este é um elemento fortemente presente e necessário na sociedade urbana atual, pois sem o Banco ou moedas, não haveria economia mundial, implicando assim no desenvolvimento de todos os países. Outro fator de grande influência da sociedade feudal é a arquitetura, pois alguns traços ainda se mantém em construções modernas, como por exemplo torres muito altas, que antes eram encontradas em castelos e igrejas, e hoje podem ser vistas como os arranha-céus comerciais.

Conclusão
O grupo conclui que com o passar do tempo algumas mudanças são evidentes, como a melhor qualidade de vida devido à evolução das estruturas da cidade como saneamento básico e serviços sociais para a população como hospitais e escolas.

Apesar de certas diferenças há também algumas semelhanças vistas desde a Idade Média até hoje. Como exemplo podemos citar a desigualdade social, que esteve sempre presente nas sociedades. Os pobres ainda vivem em situação precária, vivendo ainda a margem da sociedade enquanto os ricos ainda dominam o poder político.

Esse trabalho procurou associar as características dos séculos XIV e XV com a atualidade, ressaltando as suas diferenças e semelhanças. Desde a crise do século XIV até a globalização que presenciamos hoje em dia.

Bibliografia

CD – “Um Toque de Arte”.
Mello, Itaussu e Costa, Luís César Amad. História Moderna e Contemporânea. 5.a ed. São Paulo, Editora Scipione, 1999.

Grupo 4: André 04 2H4, Felipe 14 2H3, Múcio 34 2H2, Natalie 39 2H1 e Paulo 34 2H4.

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