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Em novembro de 1999 o número de africanas infectadas pelo vírus da AIDS ultrapassou o de homens. Desde lá o número cresceu exponencialmente. Em alguns pontos da África mulher é sinal de contaminação, por exemplo Gana, em que 63% das mulheres são soropositivas.

As razões para números tão gritantes tem bases culturais, entre elas o costume da poligamia e a não utilização da camisinha. Sendo assim, uma mulher contaminada passará o vírus para muitos homens, e conseqüentemente, para outras mulheres, formando um ciclo.

Além disso, há tribos que têm tradição de mutilar as mulheres, cortando o clitóris e os lábios vaginais. Esses rituais são feitos em situações precárias de higiene. Sendo assim, se a "mutilada" tem HIV, todas as "mutiladoras" pegarão o vírus, formando outro ciclo, pois as próximas a sofrerem o ritual poderão ser contaminadas pelo sangue de tal violação.

Além da passagem via relações sexuais, é possível passar o vírus de mãe para filho. Segundo especialistas, essa transmissão representa de 20 a 25% das contaminações registradas na África.

Infelizmente, a situação na região é precária: 55% dos infectados são mulheres. Os cientistas apontam como causa do problema o fato das mulheres serem limitadas a uma função doméstica e de reprodução.

Presas entre um estatuto social no qual o ato sexual é percebido como algo que deve satisfazer o homem e o tabu que pesa em qualquer discurso aberto sobre sexualidade, as mulheres se encontram em uma situação onde até pedir proteção é problema, inclusive no caso do comportamento de risco de seus cônjuges.

"Em nossa cultura é normal que os homens façam o que querem (...) e eles se negam a usar preservativos", explica Alice Lamptey, presidente da Associação de Mulheres Africanas contra a AIDS (SWAA).

Enfim, os números estão se tornando alarmantes e é necessário conter esse alastramento. Infelizmente as soluções propostas não estão sendo eficazes. Quem sabe não é a hora de tomarmos uma iniciativa para que este absurdo chegue ao fim?