Zimbábue
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Nome Oficial: Zimbábue
Capital: Harare
Idioma: inglês, chona e sindebele (oficiais)
Data Nacional: 18 de abril (Independência)
Nacionalidade: zimbabuana
Moeda: DÓLAR ZIMBABUANO
Tipo de Governo: República presidencialista
Religião: cristianismo 42,8% (protestantes 17,5%, adeptos de religiões cristãs africanas 13,6%, católicos 11,7%), animismo 40,4%, outras 16,8% (1980)

O que um velho caudilho pode fazer se a economia vai pelo ralo e os eleitores lhe viram as costas? A reação mais comum é desviar a atenção dos problemas reais com a estratégia de lançar a turba de desvalidos contra uma minoria malvista. É assim que age o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, há vinte anos no poder. Desde o início do ano, mais de 900 fazendas de propriedade da minoria branca foram invadidas por um exército de sem-terra arregimentado e patrocinado pelo governo. Mugabe, disse uma vez o sul-africano Desmond Tutu, ganhador do Prêmio Nobel da Paz, é "quase a caricatura de todas as coisas que as pessoas pensam de um líder africano negro". O que está ocorrendo na capital, Harare, é igualmente o que as pessoas pensam de um país africano. Armada de tacapes, a turba de invasores compõe um cenário de caos africano que afugenta os investidores estrangeiros. Sem dinheiro novo entrando na economia, Mugabe socorre-se nas impressoras da Casa da Moeda e tenta ganhar prestígio internacional com uma guerra sem sentido no Congo.

Não há boas notícias no Zimbábue, um país maior que a Alemanha e com 11 milhões de habitantes que outrora foi visto como promissor e moderno. A inflação bate nos 60% ao ano, o desemprego atinge metade da população e 63% dos zimbabuanos vivem abaixo da linha de pobreza. Como não paga a conta da energia elétrica fornecida pela vizinha África do Sul, corre o risco de ficar no escuro. Único poder estável na região, o governo de Pretória torce o nariz ao vizinho encrenqueiro, mas não pode simplesmente desligar a luz, sob o risco de receber um êxodo de refugiados famintos. Pela primeira vez, Mugabe vê-se ameaçado por uma oposição que junta negros e brancos com chances de derrotá-lo. Em fevereiro, ele perdeu um referendo que mudaria a Constituição para dar-lhe mais dez anos de mandato. As previsões são de que perderá também as eleições parlamentares deste ano.

Com as invasões, não apenas as fazendas deixaram de produzir. Muitos dos 75.000 brancos que vivem no país estão abandonando suas propriedades e, a contragosto, indo embora para a Inglaterra. Os que decidiram ficar estão cada vez mais integrados à oposição negra. Até mesmo o ex-primeiro-ministro Ian Smith, líder do governo de minoria branca que capitulou diante dos guerrilheiros de Mugabe em 1980, voltou à cena política. Aos 80 anos, ele deverá ser candidato a deputado nas próximas eleições com a ajuda de muitos negros. Uma pesquisa mostra que apenas 30% da população apóia a desapropriação das fazendas produtivas. "Os brancos e os negros deste país nunca estiveram tão unidos", diz Morgan Tsvangirai, líder do partido oposicionista negro Movimento pela Mudança Democrática. "Em 100 anos nunca havíamos conseguido tal grau de harmonia."

Revista Veja; Edição 1645- 19/4/2000

Com tantos conflitos internos, guerras com o Congo, problemas de distribuição agrária e atritos sociais, é fácil explicar o porquê de Zimbábue ter 23% da população contaminada, além de morrer cem mil pessoas por ano e ter, até 2010, a estimativa de vida pela metade(de 66 para 33 anos). O governo deveria investir mais na luta contra AIDS e em projetos sociais, ao invés de fazer uma guerra desnecessária, seja interna, seja externa.