| O Diretor Presidente do Bandeirantes, Mauro de Salles Aguiar, chegou em 2008 ao seu quinto mandato no Conselho Estadual de Educação de São Paulo(CEESP), órgão governamental que participa na formulação das políticas educacionais do Estado.

Como se não bastasse a ativa participação de Aguiar na educação pública e privada do país, a exemplo dos alunos do Band, ele pode ser considerado um estudante em permanente formação.
Acaba, por exemplo, de participar do Programa de Gestão Avançada da Fundação Dom Cabral, realizado no INSEAD (na França), considerada uma das melhores escolas de administração no mundo. No seleto grupo de alunos, teve o prazer de encontrar por lá, cursando MBA, dois ex-estudantes do Bandeirantes.
Além disso, é membro, no escritório brasileiro, do Conselho da Universidade de Harvard.
Todo esse conhecimento ele busca aplicar na liderança e gestão do Colégio Bandeirantes, com uma visão que vai muito além da administrativa.
Que estudante o Bandeirantes quer formar para o mundo?
A minha viagem ao Insead reforçou o conceito de formação. A grande ênfase deve residir na inteligência emocional, liderança de equipes. No lado humano. A escola deve formar uma pessoa com conteúdo forte. Mas tem que ser um ser indivíduo emocionalmente estável, com cultura de cidadania, que saiba trabalhar com outros e isso tudo tem que vir do professor e da estrutura. É o que buscamos no Bandeirantes.
Quanto ao resto do Brasil, como o Sr. enxerga a qualidade do ensino básico público? Acho que está melhorando muito. As pessoas e a mídia possuem uma grande dificuldade em enxergar o processo educacional brasileiro. Elas se focam apenas no resultado de forma absoluta. No entanto, é preciso pensar sobre nossas origens. A educação pública básica só se tornou, de fato, prioridade na década de 1990. Desde então, muita coisa têm sido feita e estamos, sem dúvida nenhuma, progredindo.

Quais os passos a serem dados? Por um lado, falta valorizar o professor em todos os sentidos. Remuneração, estrutura. É preciso ver a profissão como vital para o país. Por outro, deve-se exigir muito dele. É imprescindível que se adote uma política na qual se paga muito bem, mas o profissional não pode faltar e, se necessário, dará aula na periferia.
O Sr. pode mencionar um modelo a ser seguido? Basta olhar o caso do Itamaraty que forma diplomatas prestigiados no mundo inteiro. A carreira é dividida em postos A, B, C e D, em referência a países com melhores condições de trabalho e renome. Um diplomata só progride se passar por todos os postos. O que acontece atualmente na educação? Os melhores professores vão direto para os melhores bairros, com melhor estrutura. Ou seja, onde são menos necessários. Já o professor menos qualificado trabalha na periferia, onde é essencial um profissional bem qualificado para se dedicar às muitas inteligências que há por lá.
De que maneira o CEE pode mudar esse cenário? O Conselho não é um órgão executivo. Quem teria poder efetivo de fazer essa mudança seria a Secretaria de Educação. Contudo, o CEE possui grande autonomia em relação ao governo. Têm condições de criticar certas políticas. Além disso, grande parte das decisões da Secretaria passa pelo Conselho. Qual o aprendizado que o Sr. obtém no CEE? Através do Conselho, é possível entrar em contato com outras realidades de educação. Muitos dos integrantes atuam na USP, na UNESP e com educação pública no geral. Há também reuniões com Conselhos de outros Estados. E conforme você vai ficando mais experiente, você é escolhido para representar o CEE em outros lugares e adquire novos conhecimentos. Com isso, o Sr. vê a educação como um todo, como um tema em si, e reflete sobre o papel do setor privado. Exatamente. Para conhecer a função do setor privado, é preciso trabalhar com o público. Caso contrário, acaba-se em uma discussão sem sentido de público contra privado. É, na verdade, uma relação complementar.

Como funciona essa relação? Acho que um dos papéis mais importantes das escolas particulares é criar diversidade. O setor privado é um contraponto de criatividade, nova metodologia, direito de escolha para família. É uma provocação no bom sentido para educação pública. Cria-se um parâmetro de comparação. Evita-se acomodação. |