Definir
Modelo Cognitivo – Estilos de Atribuição
O Departamento de Orientação Educacional elaborou um projeto de capacitação dos professores de Ensino Fundamental visando à construção de um aluno com uma postura confiante, capaz de enfrentar desafios e conquistar metas. 


 
Com base na psicologia cognitiva, o curso versa sobre o  estímulo nos estudantes de uma visão mais otimista das dificuldades através de técnicas de comunicação.
O projeto é realizado por meio de palestras da orientadora Lúcia Maiochi e tem a duração de três meses.
 
Conversamos com a coordenadora Vera Malato sobre as bases e conceitos aplicados no curso.
 
Colégio Bandeirantes: Quais são as alterações provocadas em crianças e adolescentes pelos transtornos emocionais?
 
Vera Malato: Da mesma maneira como ocorre com os adultos, a depressão e a ansiedade em crianças e adolescentes gera alterações em seus pensamentos, emoções, comportamentos e também em seu organismo.
 
CB: Como devem agir os educadores diante deste quadro?
Vera: É necessário, prioritariamente, que tenham conhecimento daquilo que está, efetivamente, acontecendo com crianças e adolescentes, a fim de conceituar adequadamente suas dificuldades e abordá-las de forma eficaz e efetiva.
 
CB: Qual tem sido o papel dos educadores diante do aumento e manutenção de transtornos emocionais, da depressão e da ansiedade, em crianças e adolescentes?
Vera: De modo geral as pessoas entendem que são as situações que definem nossas emoções e comportamentos. Se uma criança ou adolescente falha numa atividade e fica triste desistindo de tentar novamente, atribuímos que foi a situação que gerou isso. O modelo cognitivo desenvolvido pelo médico psiquiatra Dr. Aaron Beck na década de 60, na Universidade da Pensilvânia, nos mostra que não é bem assim. Exaustivamente testado e apoiado por evidências empíricas, o modelo cognitivo mostra que não são as situações que definem nossas emoções e comportamentos, mas sim a forma como interpretamos e pensamos sobre as situações que nos levam a determinadas emoções e comportamentos. Ter a ciência desta inversão muda tudo na forma de como devemos lidar com a criança.

CB:
Como devemos orientar nossas crianças e adolescentes?
Vera: Primeiramente nos perguntando como nós educadores interpretamos as situações do nosso próprio cotidiano. Afinal as crianças e os adolescentes aprendem com os adultos. A forma como interpretamos as situações do dia-a-dia e as atribuições que fazemos das nossas conquistas e fracassos e os das crianças e adolescentes, vão ser aprendidas por eles.  Martin Seligman, em suas pesquisas, desenvolveu a teoria sobre o desamparo aprendido e os estilos explicativos, para a qual a forma como as crianças e adolescentes pensam sobre as causas dos sucessos e insucessos define o otimismo e o pessimismo.
 
CB: Qual é o perfil da criança que apresenta uma perspectiva mais pessimista?
Vera: Crianças e adolescentes, que apresentam um estilo explicativo pessimista, tendem a se sentirem desamparadas, a desistir mais facilmente das tarefas e desafios, além de ficarem deprimidos com maior freqüência. Já os com estilo explicativo otimista põem fim ao desamparo e acreditam que o insucesso é apenas um contratempo passageiro e específico. Além de apresentarem melhor desempenho, elevada auto-estima, boa saúde física, habilidades sociais e de resolução de problemas, facilidade para fazer amigos, essas crianças e adolescentes lidam com os conflitos, respeitam as diferenças e apresentam metas claras e objetivas.
Por isso, é de extrema importância nos preocuparmos com a forma como transmitimos as idéias e os conceitos de sucesso e insucesso para as crianças e adolescentes. O estilo explicativo é aprendido. E nosso papel é desenvolver nas crianças e adolescentes um estilo explicativo otimista realista.
 
CB: Mas afinal o que é ser otimista? É estar sempre feliz?  Sabemos que no nosso cotidiano temos que lidar com sentimentos negativos. Será que somente frases ou imagens positivas conseguem eliminar esses sentimentos?
Vera: Pesquisado através dos anos constatou-se que frases positivas, apenas, não surtem qualquer efeito. Seligman, 1942, definiu que o importante diante do fracasso é a forma como você pensa sobre esse fracasso, usando o “pensamento não-negativo”. É de Seligman a frase - “mudar as coisas destrutivas que você se diz quando sofre os reveses que a vida reserva a todos nós é a principal capacidade do otimismo”. Portanto, Seligman define: as bases do otimismo não estão assentadas nas frases positivas ou imagens de vitórias, mas na maneira como nós pensamos sobre as causas, sejam do sucesso ou do fracasso por que passamos.
 
CB: Então, qual a diferença entre o otimista e o pessimista?
Vera: A diferença está na diferente forma como explicam as causas de eventos ruins ou positivos que lhes acontecem no cotidiano, ou seja, como é o seu “estilo explicativo”. Por exemplo: os otimistas entendem as situações de sucesso como mérito próprio, além de serem eventos capazes de permanecer e influenciar todas as áreas de suas vidas. Já as situações de insucesso são entendidas como situações passageiras e específicas àquele evento, no qual as causas foram provocadas por circunstâncias desfavoráveis. Os pessimistas explicam as situações de sucesso como algo passageiro e específico àquela situação, onde as causas são provocadas por circunstâncias externas. E as situações de insucesso são entendidas como eventos capazes de permanecer e influenciar todas as áreas de suas vidas, sendo eles os únicos responsáveis pelas vicissitudes.  
 
CB: Como ocorrerá o curso de capacitação?
Vera: Devemos estar alerta para identificar devidamente as atribuições que as crianças e os adolescentes fazem diante de seus sucessos ou fracassos, ajudando-os a desenvolver um estilo explicativo otimista realista, além de habilidades sociais e de resolução de problemas. Estes conceitos serão apresentados e trabalhados durante o curso de capacitação, pois, para que possamos ensinar o otimismo-realista, é necessário primeiro conhecermos e praticarmos o estilo explicativo otimista e incorporar em nossa própria maneira de pensar as habilidades cognitivas do otimismo.

 
 
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