Com um pé no Japão
Com um pé no Japão
O Japão oferece anualmente algumas bolsas de estudo a estudantes estrangeiros, no programa Mombukagakushou. Para ser um dos selecionados, no entanto, a tarefa não é fácil: o candidato tem de passar por uma prova de acordo com o curso que escolher; depois, chega a segunda etapa, na qual os aprovados conversam com uma banca de dez entrevistadores; e, por fim, o governo japonês seleciona, dentre todos os aprovados, os 2000 melhores.



O aluno do terceiro ano Alessandro Gagliardi já conseguiu passar pelas duas primeiras etapas do processo seletivo. Por ter escolhido Física, Alessandro realizou provas de Matemática, Física, Química, Inglês e Japonês.

Para se preparar, pesquisou as provas dos anos anteriores e percebeu que provavelmente cairiam nas avaliações questões sobre matérias que ele ainda não havia tido.

“Em Matemática, por exemplo, grande parte do conteúdo era Cálculo Diferencial e Integral, matéria que no Brasil só é lecionada no ensino superior”, contou Alessandro. “Por sorte, eu já vinha estudando essa disciplina há um ano, mais por interesse próprio que por qualquer outra coisa.

Depois verifiquei que a maioria dos outros candidatos tiveram problemas com essa parte”. Apesar de ter obtido sucesso na primeira fase, Alessandro não achou que seria aprovado ao finalizar a prova.

“Posso dizer com segurança que foi a prova mais difícil que já fiz na minha vida”, confessou . Dos 180 alunos que prestaram o exame, apenas 15 foram para a segunda etapa, na qual foram entrevistados por uma banca de aproximadamente dez avaliadores.

“A entrevista foi feita em três línguas, no meu caso, considerando que eu havia dito na ficha de inscrição que era capaz de usar as três”, explicou o aluno.

Dos 15 alunos que participaram da segunda etapa, apenas sete foram para a terceira, que consiste num processo feito pelo governo japonês, no qual, de todos os candidatos do mundo, serão selecionados os 2000 melhores, baseados em alguns documentos, como atestados médicos, histórico escolar completo e fichas de inscrição formais.

“Se eu realmente passar nessa última fase, receio não ter escolha senão ir”, declarou Alessandro, com a cabeça nos próximos cinco anos fora do Brasil.

 
 
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