| Maria Helena Vilela
A honra e dignidade de uma garota não são mais avaliadas pela inexperiência sexual, sinal de uma suposta pureza, como ocorria antigamente. No entanto, o fantasma da virgindade ainda ronda os jovens, causando dúvidas, medos, inseguranças e contradições, principalmente, em relação à estrutura anatômica que representa a virgindade: o hímen.
As meninas temem que práticas, como o uso de absorventes internos, ou mesmo a masturbação, possam romper o hímen. Há garotas que, para preservá-lo e se sentirem “virgens”, optam por outras formas de intimidade e prazer com o namorado, como por exemplo, sexo oral. Há ainda aquelas que, por não resistirem ao sexo vaginal, tentam remediar a situação, buscando a cirurgia plástica para reconstruir o hímen. O maior temor, porém, está relacionado ao momento da perda da virgindade: o medo da dor e da desconfiança que pode abalar o relacionamento, caso não ocorra o sangramento.
Os meninos, por sua vez, também se preocupam com o hímen. Alguns querem saber se há alguma forma de terem certeza, durante o ato sexual, se a garota é virgem. Outros não dão importância ao fato de serem “o primeiro”, mas quando são, receiam machucar a namorada e, portanto, procuram encontrar meios de transformar a primeira vez da menina num momento agradável! Muitos meninos ficam tão ansiosos que antecipam a penetração, sem levar em consideração o envolvimento erótico necessário para a vagina se preparar para receber o pênis. O resultado de tanta ansiedade é desconforto e dor na primeira relação sexual.
O Hímen
O hímen é uma película fina de 3 milímetros de espessura; está localizado na entrada da vagina e tem como função protegê-la, uma vez que, na infância, a menina não produz hormônios suficientes para se defender de possíveis infecções. O hímen possui abertura de vários tipos, e recebe o nome de acordo com o formato do orifício: anular, bilabiado, cribriforme, septado, ou separado... Há ainda o complacente, ou elástico, que é aquele que, por ter uma abertura maior, suporta a passagem do pênis sem se romper.
O rompimento do hímen nem sempre sangra
O sangramento na primeira vez depende do tipo de hímen e das condições em que acontecem tanto o rompimento, quanto a relação sexual. O rompimento pode ocorrer em várias partes do hímen. Se for exatamente no local por onde passa um vaso sangüíneo, pode sangrar muito. Além disso, o sangramento pode ser fruto da falta de tranqüilidade, de delicadeza, ou de paciência que marcam a primeira vez, ou – pior ainda – conseqüência de uma relação violenta, na qual há excessivo atrito na mucosa não lubrificada da vagina. Nesse caso, a primeira vez representa um trauma e um grande risco de infecção. Mas se houver excitação suficiente que permita à garota relaxar na hora da penetração e se o rompimento ocorrer em local sem artéria, pode não sangrar ou sangrar muito pouco.
A dor pode ser eliminada
É importante que, tanto o homem quanto a mulher, saibam que a primeira relação sexual não precisa doer. Em primeiro lugar, porque o hímen não tem nenhuma inervação para causar dor; em segundo lugar, porque, durante o ato sexual, a vagina se prepara para receber o pênis, dilatando o seu diâmetro. Além disso, quando a mulher está excitada, o pênis tem sua penetração facilitada pela lubrificação da vagina.
A dor pode ser conseqüência da tensão da garota, fruto das fantasias que alimentou sobre a primeira vez, ou mesmo, por julgar que o momento e o lugar são inadequados. A tensão atrapalha a concentração nas carícias sexuais, inibindo a excitação e atrapalhando a preparação da vagina para o ato sexual. Portanto, o segredo do prazer está em eliminar as preocupações: a garota deve estar convicta de decisão, saber prevenir-se de gravidez e DST/Aids e se sentir à vontade e confiante no namorado. E... para os meninos, é bom lembrar: paciência e muito carinho são fundamentais para tornar a primeira relação sexual de uma garota um momento de prazer e não de dor. |