SexTips
Aids: o preconceito é mais forte! (Dezembro 2009)

Maria Helena Vilela

"Estou escrevendo no dia mundial de combate a AIDS e gostaria de saber se há risco de contágio, quando o sangue de um portador do HIV entra em contato com a ferida de outra pessoa que não tem esse vírus. É apenas dessa maneira que ocorre a transmissão? Por que ainda hoje há muito preconceito?"

As formas de transmissão da Aids já são conhecidas há mais de 20 anos e, ainda assim, há pessoas que têm dúvidas sobre isso. Essa falta de informação causa o preconceito contra as pessoas vivendo com HIV/Aids. Foi exatamente por isso que a campanha lançada pelo Ministério da Saúde, em 1.o de Dezembro, Dia Mundial de Luta contra Aids, teve como alvo o combate ao preconceito. Um beijo, protagonizado por um jovem com HIV e uma jovem que não tem o vírus, marca o filme de 30 segundos que faz parte da campanha, cujo slogan é: "Viver com aids é possível. Com o preconceito não". A campanha causou polêmica, e muita gente, principalmente especialistas, chegaram a contestar essa peça publicitária.

Onde está o HIV

A Aids é uma doença causada pela presença no organismo do vírus da imunodeficiência humana – HIV, o qual se hospeda nos linfócitos, células encontradas em maior concentração no sangue, no sêmen, na secreção vaginal e no leite materno. Os linfócitos também estão presentes em outras secreções do nosso corpo, como lágrima, suor e saliva. Mas, como a concentração dessas células é pequena nestes líquidos, não há risco de contaminação.

Desta forma, o contato do sangue de uma pessoa infectada com uma ferida aberta, pode infectar o outro com o HIV. No caso do beijo, a transmissão não ocorre. A saliva é pobre em células sanguíneas e há uma rápida renovação salivar na boca, o que impede o aumento de concentração de HIV.

No entanto, para os especialistas ouvidos pela emissora Band News TV, a campanha é inadequada e exagerada por não ressaltar o fato de que, quando existem feridas na boca, estas podem facilitar a transmissão do vírus da Aids. Segundo o cirurgião dentista do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids (CRT), a transmissão só poderia ocorrer se as duas pessoas possuíssem grande sangramento na boca no momento do beijo, por causa de uma ferida aberta, ou de uma gengivite aguda.

O risco de pegar o HIV no beijo praticamente não existe. Em 20 anos de Aids no mundo, não se registrou nenhum caso de pessoa vivendo com HIV que tenha adquirido o vírus pelo beijo. A maioria das pessoas com Aids pegou o HIV numa relação sexual (oral, vaginal ou anal). O último boletim epidemiológico revela que o sexo sem proteção correspondeu a quase 80% dos casos de Aids em 2008 no Estado de São Paulo. E as meninas entre 13 e 19 anos continuam sendo as principais vítimas dessa doença.

O impacto da AIDS

As pessoas que têm Aids no Brasil afirmam que sofrem mais com o preconceito e a dificuldade de integração com a sociedade do que com a ação do vírus no organismo. Com o tratamento cada vez mais eficaz, as pessoas que vivem com o HIV têm conseguido conter a multiplicação do vírus no organismo e garantir uma boa qualidade de vida e saúde. No entanto o mesmo não acontece com suas relações sociais, afetivas e profissionais.

De acordo com uma pesquisa da Fiocruz, divulgada no dia três de dezembro de 2009 pelo Ministério da Saúde, 20% perderam o emprego após o diagnóstico e 58% não trabalham atualmente (55% entre os homens e 62% entre as mulheres). O trabalho é uma situação de risco zero para a contaminação do HIV. Se, no trabalho, situação de baixo risco, há preconceito, imaginem numa relação afetiva, quando se trata de namoro e relação sexual!

Muitas pessoas HIV positivas se sentem tristes, deprimidas, ansiosas e preocupas com a discriminação e a solidão. O slogan "Viver com Aids é possível. Com o preconceito não" é uma resposta às pesquisas. Quem vive com HIV/Aids pode trabalhar, estudar, praticar esportes, namorar, fazer sexo com camisinha, como todo mundo. Portanto, o mais difícil de viver com HIV/Aids é ter que conviver com o preconceito.

Para concluir, aqui uma dica do Sex Tips para os alunos do Colégio Bandeirantes, e outros jovens que visitam a nossa página: entrar no site interativo da campanha que reúne informações sobre a Aids e convida todos os brasileiros a participarem da corrente contra o preconceito - http://www.todoscontraopreconceito.com.br/ As participações mais criativas e assertivas vão compor o web vídeo da campanha, que será veiculado na internet e nas redes sociais, numa iniciativa inovadora do Ministério da Saúde. Participem!


 
 
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