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Considerações Gerais

Quando eu crescer, serei bombeiro. Quantas vezes ouvimos essa frase ou algo parecido? As coisas da infância passaram com o tempo, e aquilo que era uma brincadeira, tornou-se algo sério e o momento da escolha profissional chegou.

Diferentemente dos outros animais, o homem não nasce sabendo. Ele aprende, desenvolve e cria formas de trabalho. É o único animal que ao executar uma tarefa, tem, como ponto de partida, a intencionalidade. Houve um tempo, em que o  homem estava predestinado socialmente a executar uma atividade profissional. As mudanças provocadas pelo capitalismo, uma sociedade de classes mais sofisticada e os valores espalhados pela Revolução Francesa tiraram o homem do mundo do coletivo para o mundo do indivíduo. O homem passou a escolher sua vida a partir de seus interesses, valores, aptidões, sonhos e desejos. Mas, ao mesmo tempo, essa livre escolha não ficou absoluta, única. No mundo moderno, que se formou a partir do século XVIII, as aspirações individuais, cada vez mais, foram sofrendo as interferências econômicas, sociais, culturais e ideológicas de uma sociedade industrial e, atualmente, pós-industrial. Nesse mundo em constante mudanças, é possível um jovem adolescente ter  maturidade para realizar tão  cedo uma escolha profissional? A resposta leva-nos à seguinte reflexão:

  1. O momento da escolha não é resultado de um desenvolvimento psicobiológico.
  2. O momento da escolha é dado por condições sócio-econômicas e culturais, em que esse jovem está inserido.
  3. O processo de escolha é um atributo humano, portanto envolve uma questão existencial.
  4. Escolher é selecionar algo (1.a crise existencial da escolha ).
  5. Escolher é perder algo ( 2.a crise existencial da escolha ).
  6. O processo para se chegar ao gesto da escolha navega pelo desconhecido, gera medo e insegurança ( 3.a crise existencial da escolha ). Dessa forma, não existe escolha certa. Existe uma escolha que liberta e uma que aprisiona.
  7. O gesto da escolha é solitário (4.a crise existencial da escolha ).
  8. O processo da escolha será mais bem realizado se o conflito e  a angústia, resultantes desse processo, forem aceitos e compreendidos como parte do processo. Eles não simbolizam uma doença, mas sim, o caminho para uma escolha que liberta.
  9. Escolher implica tomar uma posição, uma decisão. Significa partir para uma ação prática em busca de soluções para as crises existenciais geradas pela escolha.
  10. Vocação existe? Como conceito de “ vocação mística “ não existe. Nos dias de hoje, pode-se defini-la como a soma  da realização de determinado interesse com a potencialidade para fazê-lo.

 
 
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