| Memorável cerimônia em Cartagena, Colômbia
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A emblemática Cartagena de Indias, no Caribe Colombiano, foi sede do “IV Congreso Internacional de la Lengua Española”, de 26 a 29 de março de 2007. A cidade argentina de Rosário (2004), a espanhola Valladolid (2001) e a mexicana Zacatecas (1997) já haviam tido o privilégio de abrigar o encontro de autoridades, acadêmicos, professores, escritores e estudantes relacionados a diferentes aspectos da língua espanhola e da cultura hispânica nas anteriores edições do Congreso. Mas todos aqueles | que participaram do “IV Congreso” compartilharam uma mesma sensação: dificilmente um evento dessa natureza superará a experiência vivida em Cartagena em quatro dias de muita atividade e grande emoção.
Tudo começa pelo ano de 2007, especial para a língua espanhola, para Cartagena e para a Colômbia. O escritor Gabriel García Márquez, Gabo como é conhecido em seu país, comemora 80 anos, 25 anos do recebimento do Prêmio Nobel de Literatura e 40 anos da publicação do célebre romance Cem Anos de Solidão. E foi exatamente na abertura do “IV Congreso”, numa cerimônia que comoveu a todos os presentes, que García Márquez recebeu homenagens de amigos queridos, como o escritor Carlos Fuentes, do rei da Espanha, Juan Carlos I, do presidente da Real Academia Española de la Lengua, Victor de la Concha, e do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe. Muitos outros escritores e autoridades também estiveram presentes para prestigiar Gabo nesse momento especial.
Os discursos de Carlos Fuentes e do próprio García Márquez hipnotizaram um auditório que não se cansou de aplaudi-lo naquela que foi considerada pela imprensa local e internacional a maior homenagem já dedicada, ainda em vida, a um escritor de língua espanhola. Durante a cerimônia foi lançada pela Real Academia Española de la Lengua e pela Asociación de Academias de la Lengua Española uma edição comemorativa da obra Cem anos de solidão, revista pelo autor e cuja tiragem chegará a 1.000.000 de exemplares.
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As palavras iniciais do discurso de García Márquez dão uma idéia ainda mais precisa do significado do evento: “Ni en el más delirante de mis sueños, en los días en que escribía Cien Años de Soledad, llegué a imaginar que podría asistir a este acto para sustentar la edición de un millón de ejemplares. Pensar que un millón de personas pudieran leer algo escrito en la soledad de mi cuarto, con 28 letras del alfabeto y dos dedos como todo arsenal, parecería a todas luces una locura. […] Pero no se trata ni puede tratarse de un reconocimiento a un escritor. Este milagro es la demostración | irrefutable de que hay una cantidad enorme de personas dispuestas a leer historias en lengua castellana, y por lo tanto un millón de ejemplares de Cien Años de Soledad no son un millón de homenajes al escritor que hoy recibe, sonrojado, el primer libro de este tiraje descomunal. Es la demostración de que hay millones de lectores de textos en lengua castellana esperando, hambrientos, a este alimento.”
É este o começo do discurso que emocionou um auditório enlevado pela simplicidade de García Márquez, pela beleza de suas palavras e pela merecida homenagem recebida em sua Cartagena, onde começou a escrever suas crônicas. Foi assim que se despertou nos presentes, pouco a pouco, o sentimento de que cada um tornava-se testemunha de um acontecimento único e inesquecível.
Fotos oficiais da cerimônia
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